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O evento foi realizado no Memorial da América Latina
O Estado de São Paulo mantém uma preocupação especial com cidadãos com deficiência de qualquer natureza. Para despertar reflexão sobre o assunto, a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência – órgão criado por José Serra durante seu mandato – realizou nesta terça-feira, 9, um desfile dos finalistas do concurso Moda Inclusiva.
O evento aconteceu no Memorial da América Latina, na capital, com a presença do governador. Serra aproveitou o evento para destacar outros projetos do Governo para a pessoa com deficiência, como por exemplo a rede Lucy Montoro, que tem seis hospitais espalhados pelo País e enfatizou o pioneirismo da iniciativa, que segundo ele tem tudo para prosperar. “Este evento tem significado econômico para o mercado e para os profissionais envolvidos, mas sobretudo tem um significado para as pessoas com deficiência. A sociedade está olhando para elas”, disse Serra.
O concurso é uma iniciativa para estimular a criação de modelos de vestuário adaptados às necessidades das pessoas com deficiência. O objetivo é promover a discussão sobre como pensar e fazer moda que respeite a diversidade. Ao todo, 20 trabalhos concorrem e três deles sairão vencedores. Nos últimos anos, essa fatia de mercado vem crescendo na Europa e nos Estados Unidos. “Devemos trazer para cá esse exemplo de se tratar a todos, independentemente das diferenças, de maneira igualitária”, afirmou a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Battistella.
Cada estudante poderia inscrever até três trabalhos. A seleção dos finalistas foi baseada na criatividade dos alunos e na adequação das peças ao público-alvo. Além de incentivar a criatividade dos estudantes, a disputa promove a Responsabilidade Social e colabora para o aumento da auto-estima das pessoas com deficiência.
As premiações incluem estágio remunerado em uma empresa parceira do evento, livre acesso no evento Pense Moda e credenciais para a São Paulo Fashion Week (SPFW).
O comércio de roupas para pessoas com deficiência ainda é pouco explorado no Brasil, mas tem potencial para se tornar um novo e expressivo segmento. No Brasil, existem 24,6 milhões de pessoas com deficiência. Somente no Estado de São Paulo, são cerca de 4,2 milhões – 17% do total do país. “Trata-se de um mercado consumidor bastante representativo, que qualquer segmento gostaria de ter”, disse Linamara.
Paulo
14/06/2009 em 13:35
Qual a diferença entre as roupas “para deficientes” e para “normais”? Não é mais uma forma de discriminação, ou uma ‘discriminação invertida’?
Raissa Paz
22/06/2009 em 16:50
Paulo,
As diferenças entres roupas adaptadas (inclusivas) e roupas normais são tamanhas. Fui uma das estilistas finalistas, digo por mim que fiz uma vasta pesquisa, sobre as deficiências, sobre o mercado, sobre roupas adaptadas. E é um mercado pouco explorado, por isso poucos sabem sobre, poucos entendem ou mesmo se interessam.
Um exemplo disso é que para nós ir ao banheiro é algo tão natural e prático quanto qualquer outra coisa/atividade. Para um cadeirante não é tão simples assim. Se a paraplagia dele for nos membros inferiores ele terá grandes dificuldades em arriar a calça e fazer suas necessidades fisiológicas, e como uma calça adaptada pode ajudá-lo confira no meu site. O tecido muda, a calça não tem bolsos atrás pois a pele costuma ser sensível, e como eles passam o dia inteiro sentados criam machucados. A calça pode ter uma abertura frontal que o auxiliará vestir e despir… enfim, são inúmeras as adaptações que podem ser feitas para cada deficiência.
Não há nenhum tipo de DISCRIMINAÇÃO, muito pelo contrário há uma INCLUSÃO absurda, importantíssima e que deveria ser mais do que valorizada. Eles merecem muito mais da nossa atenção do que pessoas comuns. Eles são muito mais interessantes, e tem o direito de ser mais do que valorizados.
Raissa Paz.