(Por Carolina Arruda Buarque de Gusmão*)
Ao longo da graduação em engenharia ambiental, fui, por três anos, aluna de iniciação científica da professora Dra. Leonie Asfora Sarubbo, na Universidade Católica de Pernambuco. Neste período, desenvolvi o projeto intitulado “Produção e Caracterização de Biossurfactante de Baixo Custo para Remediar Solos Contaminados por Petróleo e Derivados”, com o objetivo de propor a construção de um modelo de remediação de solo contaminado utilizando um detergente biológico.
Soube que as inscrições para o “Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais” estavam abertas por meio de um e-mail enviado a mim por minha orientadora. Nele constavam todas as informações técnicas sob a inscrição e uma frase escrita por ela, que dizia assim: “Se inscreva, acredito em você, você tem perfil e potencial”. Acreditei nesta frase e fiz a inscrição.
No dia 12 de setembro, recebi a informação que eu havia sido uma das selecionadas e fui convocada para uma entrevista em inglês, no dia seguinte. Após a entrevista, tive a confirmação que eu era, de fato, uma das vencedoras do prêmio. Acredito que meu projeto tenha sido escolhido por apresentar uma preocupação com a contaminação dos recursos naturais, uma questão bastante relevante nos dias de hoje.
Embarquei no dia 31 de outubro de 2008 de Recife (PE) para São Paulo. Fui a única ganhadora da região nordeste do Brasil do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais. Já na capital paulista, me encontrei com os demais vencedores brasileiros, que me acompanhariam à Alemanha. Neste momento, minha cabeça já estava a mil! Quantas expectativas, ansiedade, não sabia o que eu encontraria por lá.
No dia seguinte, Rachel, Érico, Lívia e eu, os quatro vencedores da edição 2008 do programa, a Julia, representante da Bayer Brasil, e o Rogério, jornalista, embarcamos para Munique. A partir de então, seriam 13 dias de convívio com essas pessoas, sem ao menos nos conhecermos direito. Tudo era uma descoberta.
Desembarcamos em Munique no dia 2 de novembro e pegamos a conexão para Leverkusen, cidade onde se encontra a sede mundial da empresa. Durante o percurso, a expectativa crescia a cada segundo. Ao chegar no hotel, tive a primeira surpresa: dividir o quarto com uma jovem do Kenya. O relacionamento com pessoas de outros países, que têm uma cultura tão diferente, é de fato uma das coisas mais interessantes da viagem. Aprendi muitas coisas com isso.
Daí em diante, foram descobertas em cima de descobertas. Fomos muito bem recebidos à noite pelos colaboradores da companhia para um Welcome Dinner (jantar de boas vindas).
No dia seguinte, pela manhã, estávamos prontos para começar o encontro. De ônibus, fomos até o Bayer Communication Center “BayKomm”, um moderno centro de convenções instalado na própria planta da empresa para iniciar as conferências.
Tudo começou com a apresentação de cada um dos representantes dos diversos países participantes. Nessa hora, tive a sensação de que meu corpo todo tremia. A princípio, a apresentação se dá por ordem alfabética e cada ganhador tem que dizer o seu nome e o resumo do seu projeto.
Ao término dessa fase, iniciaram-se as apresentações detalhadas e então tivemos a oportunidade de ouvir as experiências dos representantes da Bayer, da PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e até de especialistas alemães em relação ao meio ambiente. Nesta palestra, foi apresentado um programa desenvolvido na Alemanha para redução da emissão de carbono para a atmosfera, com objetivos, metas e indicadores. O programa pretende obter, até 2012, emissões zero em toda extensão territorial.
Tivemos a oportunidade, ainda, de visitar a planta industrial da Bayer e de conhecer um centro de triagem de resíduos sólidos. Este foi, para mim, um dos pontos mais positivos da viagem, uma vez que hoje esta é a minha área de atuação. Além disso, os demais ganhadores e eu passeamos no barco que faz o controle ambiental do rio Reno. Este barco possui toda a estrutura de um laboratório móvel para fazer o monitoramento ambiental do rio e faz parte do programa de proteção da Comissão Internacional de Proteção do Reno. Há 23 anos, a água usada para controlar um grande incêndio na fábrica Sandoz, na Suíça, acabou carregando produtos altamente tóxicos para o rio, matando por envenenamento todo s os seres vivos no Alto Reno. Desde então, os governos da região resolveram iniciar sua limpeza. Mais de US$ 15 bilhões foram investidos pelos governos e pela iniciativa privada, desde 1989, na construção de estações de tratamento de água e de monitoramento ao longo de seu curso. Deu certo! Agora, pode-se ver até pessoas pescando no Reno, o que era impossível dez anos atrás.�
Depois de todas as atividades técnicas do cronograma realizadas em Leverkusen, era hora de partir para outra região do País. Porém, antes de ir, ainda tivemos uma despedida em grande estilo: uma festa de gala em um castelo, localizado em Colônia. Durante a comemoração, colocamos os “gringos” para dançar o ritmo que marca a cultura brasileira: o samba. Acredite se quiser, ninguém ficou parado!
No entanto, a viagem ainda não havia acabado. O nosso próximo destino era Berlim. Despedimo-nos dos demais ganhadores do BYEE e pegamos o vôo. Apenas nós, seis brasileiros, havíamos ganhado mais dias para apreciar a cidade, pois foi um presente que recebemos da unidade Brasil.
Ainda hoje, lembro o quanto foi bom poder conviver mais tempo com aquelas pessoas, afinal, depois de 13 dias ao lado delas, conheci todas muito bem e as tratava como se fossem a minha própria família ou amigos de muitos anos. Apesar de ficarmos em quartos separados, passamos todo o tempo juntos. Aproveitamos a oportunidade, fizemos turismo, ouvimos as experiências ambientais da Alemanha e nos divertimos muito!
Encontrei no Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais muito mais do que esperava. Conheci novas culturas, adquiri conhecimentos, fiz grandes amizades e conheci várias pessoas de lugares diferentes, mas com um objetivo em comum: desenvolver técnicas para preservar o meio ambiente para esta e futuras gerações.
Conclui o curso de engenharia ambiental e, hoje, prossigo na minha graduação realizando mestrado em desenvolvimento de processos ambientais, dando continuidade ao mesmo projeto com o qual fui vencedora do BYEE. Além do incentivo acadêmico, certamente, o prêmio que conquistei e a experiência internacional que tive são diferenciais na minha carreira profissional e me colocam em uma posição de destaque no mercado de trabalho.
*Carolina Arruda Buarque de Gusmão, 25 anos – foi vencedora do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais em 2008 e hoje atua como engenheira ambiental responsável pelo desenvolvimento de projetos de armazenamento, coleta e destinação final de resíduos sólidos em uma empresa pernambucana
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