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Por dez dias, Rio será a capital do livro no Brasil

bienal

Uma programação cultural rica e diversificada espera pelos 600 mil visitantes estimados para a XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que acontece entre 10 e 20 de setembro, no Riocentro. Novos formatos e a presença de importantes escritores brasileiros e autores internacionais conceituados vão formar a grade, que nesta edição homenageia os EUA e contará com um total de 67 sessões de debates e 84 apresentações voltadas para o público infanto – juvenil. Mais uma vez a organização da Bienal do Livro inova, marca registrada do evento, oferecendo ao público uma grade mais dinâmica, diversificada e especialmente desenvolvida para atender a todas as faixas etárias e perfis. A programação cultural desta edição contará com investimento de R$ 1,7 milhão, 30% a mais que em 2007.

De acordo com os organizadores do evento, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a Fagga Eventos, a Bienal 2009 foi desenvolvida pensando na qualidade e diversidade do conteúdo. “A cada edição buscamos novas formas para estimular ainda mais o hábito da leitura. Vamos apresentar propostas diferentes, que vão aproximar ainda mais os leitores do universo literário”, conta a presidente do SNEL, Sonia Machado Jardim. A Bienal do Livro do Rio apresentará três novos espaços, uma exposição que retrata o trabalho de décadas de um dos principais editores do país, o já consagrado Café Literário e encontros com escritores estrangeiros.         

Uma das principais apostas desta edição é voltada para o público infanto-juvenil. A Floresta de Livros será o maior espaço em metragem da Bienal 2009, oferecerá diariamente uma experiência única de contato com os livros, aliando tecnologia e informação. As outras novidades são: Mulher e Ponto, dedicado ao debate de temas de interesse das leitoras do país; e o Livro em Cena, que será palco de leituras dramatizadas de clássicos da literatura brasileira. “Fizemos um trabalho grande de pesquisa para informar a definição do novo formato da programação cultural. A ideia central foi renovar e qualificar. Apresentar uma programação mais bem elaborada e mais consistente, com novidades para os diferentes tipos de leitores. Escolhemos um time de curadores de talento e experiência e aumentamos o investimento para oferecer um belo programa para todas as faixas de idade e interesse”, afirma o vice-presidente do SNEL, Roberto Feith.

Ao longo dos 11 dias de evento, mais de 100 autores brasileiros, 18 internacionais – sendo 12 da comitiva norte-americana – participarão das sessões, debates e encontros da programação cultural.

Café Literário

O ponto de encontro de autores brasileiros e internacionais, onde acontecem debates em sessões descontraídas de temas como processo de criação, ideias, livros, personagens e gêneros, ganha nova curadoria em 2009. O escritor e crítico literário Italo Moriconi encara pela primeira vez a função no evento, prometendo estreitar ainda mais a relação do público com os escritores. O Café Literário traz outra novidade: as sessões com autores internacionais contarão com tradução simultânea.

Segundo o curador, “esses bate-papos informais ajudam a construir uma relação afetiva entre leitor e a obra literário”. A programação promete repetir o sucesso das edições anteriores. Serão 36 sessões, no espaço que terá capacidade para 200 pessoas, que vão reunir jovens talentos e autores consagrados. Já estão confirmados encontros como: “Quarenta anos formando e encantando leitores”, com Ana Maria Machado e Ruth Rocha (dia 12, às 15h30); Thrity Umrigar estará no Café Literário dia 13, às 18h30, conversando com a jornalista Rachel Bertol com o tema “Escrever entre Dois Mundos”; “Criando espaço poético, entre modernidade e tradição” será o tema da conversa entre Ferreira Gullar, Eucanaã Ferraz e Claudia Roquette Pinto, no dia 18, às 18h; Miguel Sousa Tavares estará com Marina Colasanti e Rosa Maria Barboza de Araújo, dia 20, às 18h30 falando sobre “A Geografia dos Afetos”; Larry Rohter e Roberto Da Matta vão se encontrar no dia 19, às 17h, para falar sobre “Ficções e realidades nas visões de Brasil e EUA”; no dia 13, às 12h, Arthur Phillips estará no espaço; “Brasil ontem e hoje”, com Laurentino Gomes e Isabel Lustosa (dia 18, às 16h), entre outros.

Italo Moriconi – escritor, crítico literário e professor de Literatura da UERJ. Organizou as antologias Os “Cem Melhores Contos Brasileiros do Século” e “Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século”, ambas pela Editora Objetiva. Dele também foi a curadoria do projeto de publicação das Cartas de Caio Fernando Abreu, lançadas pela Editora Aeroplano.

Floresta de Livros

A descoberta do prazer da leitura através dos sons, imagens e tato. Com 800 m², a Floresta de Livros vai misturar informação e entretenimento de forma lúdica, utilizando a tecnologia, durante os 11 dias de evento. Nela, o público juvenil e escolar vai vivenciar ciclos de histórias diferentes enquanto exploram o lugar: uma instalação multi-sensorial, cenografada com árvores “falantes” que narram trechos de livros e que têm copas formadas por letras, que criam palavras de acordo com o ângulo de visão; um livro-mágico, que a cada toque das crianças, páginas de obras importantes aparecem; uma sala secreta, onde eles poderão pegar livros e ler para os colegas com direito a palco e microfone; por fim, a floresta termina em uma clareira, local que será palco de oito apresentações diárias.      

“Vamos botar a garotada para interagir com os livros”, explica o curador João Alegria. A Floresta de Livros tem capacidade para receber simultaneamente até 600 crianças e contará com um acervo de gravações de trechos de diversas publicações infanto-juvenis. Segundo ele, “o objetivo é que as pessoas criem suas próprias histórias a partir desses pedaços de várias outras”. O espaço, que conta com o patrocínio do Instituto Pró-Livro, ainda oferecerá apresentações de 15 minutos no fim da visita. “Serão oito entradas por dia, onde trabalharemos com formas animadas e mímicas”, explica Daniela Chindler, da Sapoti Eventos, responsável pelos espetáculos.

João Alegria – João Alves dos Reis Júnior, ou melhor, João Alegria é um filósofo e historiador que também atua como roteirista e diretor de TV, do canal Futura. Ele uniu as duas áreas, e se voltou cada vez mais à comunicação de massa, com foco especial para a educação.

Mulher e Ponto

Outra novidade da Bienal foi desenvolvida especialmente para o público feminino, grande frequentador do evento e responsável por mais da metade do número de leitores do país. O Mulher e Ponto vai abrigar encontros informais entre autores brasileiros que retratem nas suas obras e em seu cotidiano assuntos de interesse das leitoras. Os temas são variados: comportamento, literatura, filosofia, relações afetivas etc. O Mulher e Ponto terá 15 sessões ao todo, sendo uma por dia da semana e duas aos sábados e domingos. O espaço tem o patrocínio da Leader.

“Todos os assuntos serão bem-vindos, desde que falem direto à mulher plural do século XXI, com tantas faces e um único e poderoso potencial transformador”, afirma a curadora, Sonia Biondo, que programou conversas como: “O livro na bolsa. Dicas de escritoras ganham espaço nas estantes”, com Leila Ferreira e Danuza Leão (dia 10, às 17h); “As contadoras de histórias. A temática feminina em poesia e contos”, com Viviane Mosé e Heloísa Seixas (dia 13, às 17h); “Onde foi que eu errei? O papel do livro no debate das drogas e outros problemas na relação mãe e filho”, com Tânia Zagury e Cissa Guimarães (dia 20, às 17h); e “Leitura e Prazer. A literatura erótica atrai a leitora”, com Márcia Denser e Laura Meyer da Silva (dia 20, às 19h30).

Sonia Biondo – jornalista e produtora de conteúdo. Desde 2000 faz o programa Superbonita (GNT). Trabalhou por 14 anos na mídia impressa em editorias como as de cultura e variedades do O Globo, além de segmentos voltados ao público feminino, como a revista Marie Claire e o caderno Mulher, do Jornal do Brasil. É autora de “Mulher Integral” (Gryphus). 

Livro em Cena

Um cenário que reproduz uma sala de leitura, com estantes de livros, bancos e poltronas, onde grandes nomes das artes serão convidados a ler trechos selecionados de obras de importantes escritores brasileiros. Assim é o Livro em Cena, novidade da Bienal, que traz assinatura do diretor e ator Paulo José em parceria com a D+ Produções, das sócias Marcia e Joana Braga.

A abertura do espaço será feita por Marília Pêra, no dia 11/9, às 18h30, que vai ler obras de Machado de Assis como “Memórias Póstumas de Brás de Cubas” e “Teoria do Medalhão”. Ao todo, serão 12 sessões, que acontecerão apenas às sextas-feiras, sábados e domingos. “Não se tratará de adaptações para o teatro, mas sim leituras admirativas, que vão ressaltar os valores que tornaram a obra um clássico”, conta Paulo José. 

Matheus Nachtergale fará a leitura de “Memórias do Cárcere”, “Baleia” e “Insônia”, de Graciliano Ramos (dia 12, às 18h30); Lázaro Ramos escolheu obras de Jorge Amado, como “A morte e a morte de Quincas Berro D’Água” e “Gabriela, Cravo e Canela” (dia 18, às 20h30). Malu Mader fará a interpretação de trechos de Clarice Lispector (dia 20, às 16h30).

Paulo José – além de ser um dos mais ativos e talentosos atores brasileiros dos últimos 50 anos, com presença destacada no cinema, teatro e televisão, e de ter dirigido vários espetáculos, também é diretor de televisão, com trabalhos marcantes como as minisséries “O Tempo e o Vento” (1985), “Agosto” (1993) e “Incidente em Antares” (1994).

Auditório dos grandes autores

O auditório Euclides da Cunha (pavilhão 3), que tem capacidade para 390 pessoas, terá quatro sessões especiais com escritores estrangeiros que têm conquistado posições de destaque nas listas brasileiras de mais vendidos. Assim, um número maior de  visitantes terá a oportunidade de presenciar os bate-papos inéditos com Bernard Cornwell (dia 11, às 19h30); Meg Cabot (dia 13, às 15h); Robert e Kim Kyosaki (dia 19, às 15h) e Steven Jay Schneider (dia 19, às 19h30). 

Exposição “José Olympio – Um editor e sua casa”

Uma homenagem a um dos principais editores do século passado, responsável pela publicação de obras de nomes como Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Jorge Amado.  A exposição dará ao público da Bienal a chance de ver importantes etapas da história do mercado editorial brasileiro ao longo de décadas.

“Selecionamos cerca de 200 publicações das principais edições da editora José Olympio, como as de José Lins do Rego e Carlos Drummond de Andrade, que mostram a arte de editar livros na primeira metade do século XX”, explica Marcos Pereira, neto do editor e produtor da mostra. A mostra ocupará 300 m² e tem a curadoria de José Mario Pereira Filho e projeto museográfico de Victor Burton.

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