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(Ivani Bianchini Hofling, socióloga e rio-clarense)
A reconstituição da História de Rio Claro é o tema principal deste espaço, cedido graças ao apoio do Portal LideBrasil, especializado em notícias sobre a Cidade Azul. Aqui serão abordados temas pesquisados ao longo de nossa carreira como Cientista Social, com o objetivo de problematizar, às vezes chocar e permanentemente convocar o cidadão rio-clarense à realidade que o cerca. E tudo isso com um pensamento que não tem nada a dizer, só a mostrar, porque ainda há algo a fazer pela cidade, especialmente por seu Centro Histórico – primeiro tema a ser aqui trabalhado. O nome desse projeto é “História Ilustrada de Rio Claro”.
Tombamento do núcleo central de Rio Claro
Em reunião de 08/5/2006, o Colegiado do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) aprovou o tombamento do traçado do núcleo original da cidade de Rio Claro; de quatro antigas residências e de um monumento na mesma área.
Tombar alguma coisa de acordo com normas legais equivale a registrar, com o objetivo de proteger, controlar, guardar. Tombamento, também chamado tombo, significa inventário, arrolamento, registro. O tombamento de bens culturais, visando a sua preservação e restauração, é de interesse do estado e da sociedade. Em Rio Claro, traçados urbanos foram tombados, mas desrespeitados no crescimento da cidade, com a complacência do Poder público. Alguns, no entanto, foram preservados, como Casarão da Cultura, Etec. Bayeux, residências do Barão de Porto Feliz (av. 2, rua 6), de Marcelo Schmidt, entre outras.
O Centro foi implantado em área doada por proprietários de sesmarias e é atribuído ao Senador Vergueiro, quando desempenhava a função de Inspetor Particular das Estradas do distrito-freguesia de Piracicaba.

Restaurada. Residência do Visconde do Rio Claro, hoje E.E. “Marcello Schmidt”. Avenida Um nº 356, esquina Rua 5. Construção: 1865

Demolida. Casarão da Família Negreiros. Avenida 2, rua 6

Preservada, em parte. Residência do Barão de Porto Feliz. Avenida Dois, nº 501
Construção: c.1860–1865

Preservada. Residência de Dona Luiza Botão. Ali funcionou a “Escola de Pharmacia e Odontologia”; Escola Profissional, Industrial Masculina e Feminina; hoje “Etec Bayeux”; no período da industrialização, foi de grande importância na formação profissional dos rio-clarenses. De acordo com avaliações do MEC, segue como escola técnica de qualidade

Preservada. Residência de Siqueira Campos. Localização: Avenida Três nº 568. Construção: 1868. “De esquina, com porão alto. Algumas paredes de taipa. Janelas e porta principal voltadas para as ruas. Em reformas posteriores, foi chanfrado o canto na esquina; substituídos os beirais por platibandas e introduzidos, nas paredes, elementos decorativos ao estilo neoclássico; e uma bandeira em arco na porta principal. Em 1886, hospedou D. Pedro II e Dona Thereza Christina.”

Monumento da Praça da Liberdade em frente ao Fórum de Justiça é marco Inicial da formação de Rio Claro. A administração da área [centro] passou a ser exercida a partir de 1832, pela “Sociedade do Bem Comum” que, entre outras atribuições, fixou os espaços públicos, promoveu a construção da igreja e a venda dos lotes

Traçado original do núcleo central. “Trata-se de um traçado ortogonal, com as ruas orientadas do nascente para o poente e do norte para o sul, como em um tabuleiro de xadrez”. (Google Earth)

“Parte do centro da cidade. O traçado urbano foi tombado pelo CONDEPHAAT e inclui dezessete quadras, trechos de onze vias e a Praça da Liberdade, que formam o arruamento inicial definido em 1826 para a futura vila de São João Batista do Ribeirão Claro. Foi implantado em área doada por proprietários de sesmarias (…)”

Praça da Liberdade e Igreja Matriz. “O centro cívico e religioso foi definido pelo Pátio da Igreja (atual Praça da Liberdade), para o qual se achava voltada a igreja; em uma quadra vizinha, o Cemitério.”
Glossário:
Sesmarias: a partir do momento em que chegam ao Brasil, os capitães das capitanias hereditárias, fazem distribuição de terras a sesmeiros, titulares da sesmaria – que passa a ser prioridade pois deveria garantir a instalação das grandes plantações de acúcar na colônia.
Ortogonal: que forma ângulo reto
Fontes
PORTAL VITRUVIUS. Minha cidade. Rio Claro. Marco Antonio Baldoni. Destruição e tombamentos no centro de Rio Claro. Ano 6, vol. 12, jul. 2006, p. 166.
PENTEADO, Oscar de Arruda. Rio Claro, Coletânea Histórica. Arquivo do Município, 1977.
RIO CLARO SESQUICENTENÁRIA, 1978.
MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO DE RIO CLARO.
ARQUIVO DO MUNICÍPIO DE RIO CLARO.
René Neubauer
01/11/2009 em 15:14
PARABENS POR ESSA COLUNA!
ESSE FATO DEVERÁ ALERTAR OS RIOCLARENSES
EM QUANTO JÁ SE PERDEU DE NOSSA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA.
Noeliza B.S. Lima
02/11/2009 em 15:14
Parabéns pelo estudo e publicação. Sou rioclarense e não sabia a origem das construções. Um absurdo que algumas construções já se tenham perdido. Iniciativa necessária, que confere a ponte histórica tão necessária na formação de nossos jovens.