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Ivani Bianchini Hofling, socióloga e rio-clarense
Esse texto tem por base trechos do primeiro número da Revista Cadernos Azuis, “Rio Claro, Capital da Alegria”, lançado em maio de 2006, pelo Arquivo Municipal, sob nossa coordenação. Além do Caderno, foi realizada exposição de antigos e modernos carnavais, evento de grande aceitação popular, no Shopping Center de Rio Claro. O momento carnavalesco e este espaço tornam possível divulgar partes daquele Caderno, hoje, arquivado na Autarquia. Saliente-se que a edição do Caderno serviu de referência, junto ao Ministério da Cultura, para obtenção de financiamento através da Lei Rouanet, desde 2007.
O entrudo
Antes do Carnaval havia o entrudo, uma espécie de jogo que compreendia desde delicadas brincadeiras em salões aristocráticos até batalhas mais renhidas e violentas, que geralmente envolviam ex-escravos, escravos e a variada pobreza da cidade. Jean Baptiste Debret retratou grupos de negros mascarados e fantasiados de velhos europeus, imitando-lhes muito jeitosamente os gestos de cumprimento à direita e à esquerda as pessoas instaladas nos balcões, mostrando já naquela época um carnaval multifacetário.
Debret: Entrudo. Sua comemoração nas ruas, na época da aristocracia, era feita com jatos d´água e pó de amido; também conhecida como molhadela ou molha-molha; sua fase mais moderada foi jogar limões de cheiro (cera) nos passantes.
O carnaval
Essa festa confunde tudo. Para defini-la, Mario Vargas Llosa, usa metáforas e esbanja hipérboles sobre fantasia e realidade: o carnaval “mistura e torna iguais tanto ricos como pobres, brancos e negros, empregados e patrões, a senhora e sua empregada, desmanchando preconceitos e distâncias. Cria certo tipo de miragem onde triunfam o sexo e a música, e o mundo fica de ponta cabeça. Nesses três dias e noites as loiras se tornam morenas e as morenas, loiras, os esmoleiros ficam felizes e os milionários, tristes, os feios se tornam bonitos, o dia se transforma em noite, e a noite, em dia (…).”
Rio Claro, 1910. Antigos corsos, com a participação das elites fazendeiras, que aderiram aos desfiles de rua, em combate ao entrudo. Em 1840, com o apoio da aristocracia e dos grandes jornais, os elegantes bailes de Carnaval carioca, realizados no Hotel Itália, hoje, Praça Tiradentes. José de Alencar escreveu em sua coluna do “Jornal Mercantil”, do Rio de Janeiro, às vésperas do Carnaval de 1855, a seguinte frase: “Confesso que esta idéia me sorri. Uma espécie de baile mascarado, às últimas horas do dia, à fresca da tarde, num belo e vasto terraço, com todo o desafogo, deve ser encantador”. Foi assim, após uma campanha dos jornalistas contra o violento entrudo e a favor do elegante Carnaval veneziano, que os desfiles de rua começaram a acontecer.
1921. Primeiro carro alegórico mecânico do corso rio-clarense, fabricado por. Reynaldo Meyer. Era composto de duas enormes borboletas, que ao baterem as asas faziam abrir uma rosa que, toda vez aberta, trazia em seu interior, Elvira Meyer, de uma beleza só encontrada nas estrelas do cinema mudo, a coqueluche daqueles anos. (Fausto Brunini, Histórias Orais-Arquivo Público, 2006).

Década de 10. Cometas – viajantes que se hospedavam no Hotel Stein e organizaram, para o préstito carnavalesco, conjunto singular puxado por bois. Em 1913, fundou-se em Rio Claro, uma fábrica de cigarros sob a denominação de Princesa D´Oeste, cujos ideiadores foram os viajantes comerciais que nas suas viajens pelo interior faziam peão nesta cidade, hospedando-se nos hotéis Stein e Chegadinho (PENTEADO, 1977, p. 125).
Entrudo versus Carnaval
Os estudiosos antigos e contemporâneos acreditam que o carnaval carioca moderno nasce a partir da luta contra o entrudo no século XIX. Autores consultados, relatam que adeptos do carnaval veneziano, executaram uma verdadeira operação de “reinvenção do carnaval”, constituída de duas partes. Na primeira, o entrudo deveria ser isolado das festividades carnavalescas, das mascaradas, dos bailes e desfiles que antes formavam juntos o carnaval da cidade. Na segunda, o entrudo deveria ser substituído, desta vez definitivamente, pelos desfiles das grandes sociedades. O entrudo, que antes designava uma série de brincadeiras carnavalescas – como mascaradas alusões e xingamentos – passa a ser entendido simplesmente como a guerra de limões de cheiro e bisnagas, perdendo seu caráter geral.
O Jogo do Entrudo Familiar, Rio de Janeiro, 1840, litografia de Rafael Mendes de Carvalho. Coleção Gilberto Ferrez, foto de Raul Lima, publicada na Iconografia do Rio de Janeiro, 1530-1890, vol II. Rio de Janeiro: Casa Jorge Editorial, novembro de 2000.
Década 10 ou 20. Rio Claro reproduzia seu Carro das Flores, no belo estilo dos carnavais cariocas, de influência européia. Homens, mulheres e crianças: todos amam o Carnaval!
Década de 30. Vendedor de lança perfume marca Pierrot, no portão do Grupo Ginástico. O lança-perfume apareceu com grande publicidade, em ampolas de vidro de cloreto de etila, da marca Universitário, substituído pelo Rodo Metálico. Perfumaram os carnavais até 1961. Sua proibição deixou saudades nos foliões que dele faziam uso romanticamente, enchendo de perfume e povoando, com a sua aura inesquecível, as nossas ruas e salões. “Hoje não tem dança / não tem mais menina de trança / nem cheiro de lança no ar / Hoje não tem frevo / Tem gente que passa com medo / Na praça ninguém pra cantar…”.
Década de 30. A festa é arrebatadora: todo mundo quer cair na folia! Rei Momo e séqüito dos “Seguidores de Pan”
Rua 3, av. 1, em frente ao Theatro Phoenix. Década de 50. Começaram a aparecer então, os grupos de ritmistas, inicialmente chamados de “Zé-Pereira”, foliões que percorriam as ruas batendo forte em bumbos ou tambores (depois foram substituídos por tamborins, cuícas, pandeiros, etc.). Havia ainda os cordões carnavalescos onde desfilavam em cortejo pessoas fantasiadas, que brincavam com ritmo e dança.
Década de 50. Cerveja Caracú e a Rainha do Carnaval.
Década de 60. Aldo Zotarelli, o tribuno romano. Naquela época os clubes construíam seus próprios carros alegóricos, muitas vezes com o auxílio do poder público. Grupo Ginástico Rio-Clarense.
1963. Grêmio Recreativo dos Empregados da Companhia Paulista de Estrada de Ferro. Carro Magistral – 1º lugar no carnaval de rua. O Grêmio foi vencedor de inúmeros carnavais seja quanto aos bailes carnavalescos, seja quanto aos carros alegóricos que desfilavam nos corsos.
Referências bibliográficas
CADERNOS AZUIS (excertos). Rio Claro, Capital da Alegria, volume I, maio de 2006. Publicação do Arquivo do Município. Coordenação Ivani Bianchini Hofling. Fotos digitalizadas na gestão 2005/2008.
MORAIS, Eneida. (Revisto por Haroldo Costa). História do Carnaval Carioca. Record, 1987.
O ALPHA. 1902 a 1907, meses de fevereiro e março.
DIÁRIO DO RIO CLARO, 1930 a 1960, meses de janeiro a março; e 1983.
DA MATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis – Para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro, Zahar, 1978.
FERREIRA, Felipe. O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro. Ediouro, 2004.
PENTEADO, O.A. Coletânea Rio-Clarense, 1977.
MUSEU HISTÓRICO PEDAGÓGICO DE RIO CLARO.
Copyright Ivani Bianchini Hofling – História Ilustrada de Rio Claro, Capital da Alegria! Proibida a reprodução, provisoriamente.
oswaldo de campos filho
01/04/2010 em 23:31
parabens ao elaboradores e cooperadores deste lindo projeto, sinto muito orgulho , sou neto da sra elvira meyer , que aparece neste projeto , estou
muito orgulhoso do trabalho e gostaria de saber mais informacoes em vosso arquivos sobre minha avo,
meu muito obrigado
oswaldo de campos de filho
neto de dona elvira meyer de campos, casado com antenor de campos , irmao do sr joao de campos , fundador da funeraria joao de campos em rio claro -sp
meus comprimentos,,