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História Ilustrada de Rio Claro: Mulheres ousadas I

Ivani Bianchini Hofling, socióloga e rio-clarense

Para prestar homenagens à mulher rio-clarense, selecionamos temas e fotos específicas de nosso mais de meio século na vivência e na temática feminina. Parabéns a todas nós!

Mulheres sobre rodas

Década de 40. Jardim Público, circundado por ruas, ainda, com paralelepípedos, iluminação antiga, guarita, sem a divisão observada nos dias atuais. As charretes e os carros eram sujeitos ao licenciamento da Delegacia de Polícia local.

O acervo da Ciretran organizado pelo Arquivo do Município, em 2005, é composto por 4.300 prontuários de 1935 a 1975 e foi objeto de exposição em 2005, pelo Arquivo Público, em nossa gestão, em 2005, nas Faculdades Claretianas. O acervo contém habilitações para dirigir veículos a motor ou a tração animal (cocheiros e carroceiros) e foi doado pela Ciretran de Campinas.

Sua majestade, o automóvel

O acervo mostra de que forma evoluiu a cidade com a chegada dos automóveis; quem foram as pessoas ou famílias que puderam se habilitar como motoristas profissionais ou amadores. Em rigor, trata-se da História Rio-clarense vista sob o prisma de seu elemento mais moderno: o automóvel.

Emancipação feminina e o automóvel

Uma das razões que explicam o pioneirismo dessas mulheres na obtenção da carta de habilitação é o fato de que, nos países europeus, a emancipação política das mulheres se deu nos idos de 1920, após a primeira grande guerra. Tratava-se da reprodução dos valores europeus na formação das mulheres brasileiras. Aliás, o próprio dia Internacional da Mulher somente obteve seu espaço na Europa, depois de 1917, com a greve das operárias de São Petesburgo – possivelmente um dos estopins para a eclosão da revolução russa.

Rio Claro e as motoristas

Análise preliminar dos dados sobre prontuários de habilitação revela número significativo de “motoristas amadoras”, como eram chamadas nos próprios formulários.

Em Rio Claro, influíram na presença de mulheres motorizadas, a condição social, educacional e de origem. Foram encontradas no acervo documentação de: contadora, (1), professoras (17), estudantes (7) e um número considerável de domésticas casadas com homens representativos da época.

Uma grande parte das motoristas possuía escolaridade de nível médio ou magistério. Apenas algumas brasileiras vindas das capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro possuíam nível superior.

As lavradoras, em número reduzido, até 1950, eram trabalhadoras do campo e recebiam de seus patrões autorização especial para conduzir carroças ou charretes. Essa autorização era formalmente concedida e fiscalizada pela Delegacia de Polícia da época.

Em meio às mulheres motorizadas, encontra-se uma afro-descendente, o que despertou curiosidade e vem confirmar estatística conhecida, velha conhecida das mulheres negras.

1933. Cornélia Kruit Schurmann. Destaque-se também a motorista Suzana Aranha Cavagnari, portadora de carteira de habilitação feminina, expedida em 1936.

1933. Dados de Cornélia Schurmann


1933. Mais dados da holandesa Cornélia K. Schurmann

Interessante notar com relação aos dados referentes aos “Characteres chromáticos, etc.”, subjetividade no preenchimento das informações: nariz afilado, barba afeita, dentes bons, condição social da vida ordinária, corpo cheio, corpo regular .

Os dados do período revelam mulheres de nacionalidade ou descendência holandesa, portuguesa, húngara, espanhola, chilena, argentina, sueca, síria e italiana, quase todas descendentes de famílias proprietárias de chácaras, sítios ou fazendas; funcionários públicos e comerciantes.

Existe uma grande diversificação e riqueza de dados e informações na habilitação, que podem orientar estudos diversos, como Genealogia, Direito, Demografia, Economia, Comunicação, Cultura e Sociedade.

2005. Exposição Rio Claro Sobre Rodas – Parte I.

O original acima mostra a Permissão Especial expedida pela Delegacia de Trânsito, que possibilitava ao proprietário de terras e alguns de seus empregados braçais, dirigirem veículos de tração animal, como charretes, troles, coches. A permissão era dada para conduzir a produção rural para a Estação de Ferro mais próxima, por um caminho delimitado pela Delegacia de Trânsito.

Fonte

Acervo Ciretran. Arquivo do Município
Detran-SP
Exposições “Rio Claro Sobre Rodas I a IV”, Arquivo Público, Gestão 2005/2008

Copyright Ivani Bianchini Hofling. História Ilustrada de Rio Claro, Mulheres Ousadas, parte I. Proibida a reprodução

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