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Uma placa de proibido estacionar indica o ponto exato do acampamento das famílias sem-terra, montado ao lado da estrada que dá acesso à antiga Estação Remanso, nas proximidades da divisa entre Araras e Cordeirópolis.
O grupo invadiu a área na última sexta-feira, dia 26, mas já vem caminhando pela região desde o início desse ano. Em janeiro, as famílias ocuparam o Horto Florestal de Rio Claro, mas tiveram que deixar o local após a reintegração de posse. Depois, o acampamento foi montado em Cordeirópolis, onde os manifestantes enfrentaram situação semelhante.
Em Araras, o movimento Acampamento Esperança continua reivindicando terreno para seus integrantes. Segundo os organizadores, há 120 famílias de Araras, Limeira, Cordeirópolis, Santa Gertrudes, Rio Claro e Ipeúna cadastradas – 68 delas já estariam acampadas no local.
“Somos um grupo pacífico e respeitamos o MST (Movimento dos Sem-terra), mas não fazemos parte dele. A maioria aqui faz serviço na safra (de cana-de-açúcar), mas acabou a safra, acabou também o emprego. Para os mais velhos, então, é ainda mais difícil. Ninguém chama pessoas com mais de 40 anos”, explica Eva Maria de Souza, uma das coordenadoras do movimento.
A área ocupada, segundo ela, pertencia à antiga Fepasa e hoje em dia passou a fazer parte do patrimônio da União. Por lá, passava parte dos trilhos de trem que levava à estação Remanso.
“Não queremos casa; queremos um pedaço de terra para plantar, produzir, trabalhar. Já participamos de reuniões no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e vamos ficar aqui, aguardando o que eles vão fazer para resolver a situação”, completou.
O grupo, no entanto, não espera – e nem quer – que o futuro assentamento seja consolidado na área em que as famílias estão acampadas atualmente. “Aqui só tem pedra, não dá para plantar”, analisou Milton Rogério da Silva, que também integra a coordenação do movimento.
Segundo ele, há estudos envolvendo terrenos do governo federal em Rio Claro, Mogi Guaçu e ainda a possibilidade do assentamento ser implantado onde funcionava a antiga estação de trem, bem próximo de onde estão as barracas. “Pensamos em acampar lá, mas não tem água perto. Escolhemos aqui porque também é da Fepasa e tem uma mina”, informou Eva.
Além das barracas cobertas com lona plástica, o acampamento possui ainda uma cozinha comunitária improvisada, que funciona também como local de reuniões. “Quem quer faz sua comida na própria barraca, mas tem gente que usa aqui para cozinhar também”, completa.
Acompanhamento
O Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) informou ontem que está acompanhando o movimento Acampamento Esperança desde a invasão em Rio Claro, mas que não tem muito o que fazer nessa situação, já que a área envolvida é federal.
“Estivemos lá ontem (terça-feira) para ver onde eles estavam acampados e vamos fazer nosso cadastramento normal de famílias. Não podemos fazer mais que isso, já que aquela área é o antigo leito da Fepasa e pertence à União”, explicou Antonio Carlos Bertocco, coordenador regional do Itesp.
No passado, a entidade intermediou as negociações envolvendo outras áreas da Fepasa, localizadas no município, para a implantação dos Assentamentos Araras 1, 2, 3 e 4.
O processo foi iniciado quando as terras ainda pertenciam à Ferrovia Paulista S/P, mas, durante o andamento do caso, elas acabaram sendo federalizadas e passaram a fazer parte da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A). “Hoje em dia não temos mais terras do Estado em Araras”, acrescentou Bertocco, na tarde de ontem.
Antes de ser invadida, a área da antiga Estação Remanso chegou a ser alvo de alguns projetos e estudos por parte de administrações municipais anteriores – houve até uma proposta de venda por parte do governo federal – mas nada foi concretizado. Hoje em dia, restam apenas ruínas do prédio que, um dia, teve papel importante para a economia do município.
(Fonte: Renata Meneghin/Tribuna do Povo)
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