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Realizada na noite desta quarta-feira, dia 10, a palestra “Juventude, negritude e maturidade. O papel da mulher na sociedade e na construção de políticas públicas” contou com a participação de Marta Suplicy, ex-deputada federal, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo, e Mônica Sapucaia, que estará representando a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.
O convite foi feito pela secretária de Governo e vice prefeita, Olga Salomão, para integrar a programação da Semana da Mulher, que este ano está sob coordenadoria da vereadora Maria do Carmo Guilherme. Os vereadores Sérgio Desiderá e Raquel Picelli também participaram da palestra realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal.
Após o cumprimento de protocolo, no qual o prefeito Du Altimari, a vice prefeita e a vereadora Raquel Picelli agradeceram a participação das convidadas e ressaltaram a importância da discussão sobre as políticas públicas para as mulheres, Mônica Sapucaia abriu a palestra.
Ela iniciou relatando que quando criança não deseja ser atriz, bailarina ou modelo, ela queria ser a Marta Suplicy. Com esta descontração a explanação prosseguiu de forma dinâmica e explicativa. Entre os pontos destacados Mônica falou sobre o perfil da mulher no mercado de trabalho.
“As mulheres são mais caprichosas, e os espaços que eram considerados masculinos as mulheres estão conquistando. Porém ainda constatamos que os salários das mulheres são inferiores, mesmo quando exercem a mesma função. O salário das mulheres são 70% dos salários dos homens, ou seja, a mulher ganha 30% a menos que o homem exercendo o mesmo trabalho.”
Mônica informou que a Secretaria de Políticas para as mulheres possui três nortes: mais cidadania, mais autonomia e menos violência. “A violência contra as mulheres é uma realidade. Este é o ponto mais crucial e dolorido. Por isso, ressalto a importância da criação da Lei Maria da Penha, mas é necessário que esta lei seja realmente executada. Lembro também que existe o número 180, no qual as pessoas podem denunciar a violência doméstica e familiar. Um fator que precisam ser considerado é que as mulheres devem ter o seu próprio dinheiro, não depender de nínguém.”
Outro ponto que a representante abordou foi o fato de este ano o Brasil contar com duas candidatas a presidência. “Isso é inovador”. Mônica encerra seu discurso relatando que o grande desafio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres é aprovar a Lei de Igualdade no ambiente de trabalho. “Não pode haver diferença de salários entre homens e mulheres.”
Marta Suplicy iniciou seu discurso expondo a pequena representatividade política das mulheres. “Apenas 8.9% dos integrantes do parlamento são mulheres. Esse número não é nada. Hoje existe a lei das cotas, na qual 30% do preenchimento de vagas na políticas precisam ser reservadas para as mulheres, porém, deve haver punição aos partidos que não cumprirem esta lei. Sem punição não de concreto funciona.”
A ex prefeita destacou que na Argentina o número de representantes femininas aumentou com punição. Ela salientou que são mulheres que constantemente estão na linha de frente. “São as mulheres que vão à escola, que participam de reuniões, que fazem parte de associações, mas na hora de votar o voto vai para o homem. Isso tem que mudar. Nós estamos alijadas ao poder de fato. Ma dado alarmante é que a cada 10 eleitores um não vota em mulher. Eu não consigo entender o porquê.”
Marta também citou a diferença entre os salários. “Temos um nível maior de escolaridade, mas mesmo assim recebemos uma remuneração menor.”. Ela disse que as mulheres de hoje não são as mesmas de 20 anos atrás. “As mulheres mudaram muito, hoje é difícil encontrar uma pessoa que tem quatro ou cinco filhos. Os prioridades são outras. Elas querem autonomia.”
Outro ponto que a ex prefeita citou foi o fato de nunca ter havido um planejamento da inserção do mercado de trabalho. “Parece que nós entramos arrebentando a porta, sem nenhum plano. É necessário negociar o tempo no mercado de trabalho. É muito árduo o processo de conquista da mulher.”
Ela encerrou a palestra sugerindo que se crie um “Núcleo Pensante” sobre as políticas públicas para as mulheres. “Tem que ter um órgão para pensar sobre as mulheres.”
(Fonte: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Rio Claro)
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