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*Didi Pasqualini
A idéia que a maior parte da população faz do processo eleitoral é o reflexo da representação da produção de sentido que é midiatizada pelos candidatos. É a significação da esperança, progresso, desenvolvimento, dias melhores, etc, impregnados nos meios. Esse fenômeno, na verdade, é uma resposta às expectativas, desejos e vontades, e, também, uma forma de ajustar o futuro aos planos pessoais que são propagandeados pelos candidatos que passam a ter, ou não, a preferência de voto do eleitor. Nesta relação há o encontro entre o possível e o imaginável, que abre horizonte para a possibilidade das promessas se tornarem realidade em futuro próximo. Em síntese: o processo eleitoral pode ser entendido como relação de trocas que são mediadas pelo voto.
A visão que a maioria das pessoas tem do político, muitas vezes, não corresponde aos símbolos que ele procura transmitir. Em parte porque o discurso não está adequado ao meio, a propaganda é confusa ou ainda não há similaridade à forma, conteúdo, significação na cabeça das pessoas, entre outros. Entender este processo, de que a mensagem transmitida não é estática e sim um fenômeno complexo, mutável e visível no corpo, apresenta particularidades que podem ser a chave que abre portas para uma “campanha vencedora”.
Entender que a sociedade está dentro de um complexo mundo simbólico, que agrega pessoas pela mediação da informação, pode fornecer, em parte, o entendimento de que a propaganda política é tão diferente da publicidade, pois cada uma tem estratégia particular na geração de sentido no mundo onde são postas. A primeira lida com conceitos ideológicos e a outra tenta despertar o sentimento de posse e como as pessoas podem adquirir objetos de consumo. Certamente, um candidato não é um objeto de consumo e como estratégia não deve ser atrelado a tal situação.
É importante avaliar o que o candidato, ao tomar emprestado um discurso, pode ou não representar alguma coisa na cabeça das pessoas. Segundo Thompson (2009), “não se pode significar qualquer coisa, em qualquer situação”, tipo candidato “catchall”. Do ponto de vista simbólico não existem diferenças entre um político que consegue um milhão de votos em uma eleição de outro que não passa de mil. O que pode ser verificado é como cada um consegue ou não atribuir valores simbólicos à sua imagem.
É por isso que muitos candidatos concorrem apenas para “ganhar experiência”. Na realidade eles se lançam para agregar valores simbólicos às suas imagens. Quanto maior for esta atribuição, maior será o processo de troca de sentido que ele terá com o meio e isso reflete em sua carreira política. Permanecer na visibilidade é um desafio que não pode ser entendido como estar nos meios, ter sua marca massificada, tornada pública e sim mostrar a capacidade de “vender” o seu discurso e agregar a seu percurso simbólico. É neste ponto que existe grande engano quando a análise é pautada apenas por uma situação, pela propaganda ou um tema que produziu sucesso ou derrubou as pretensões de voto do candidato. O que é visível na mídia muitas vezes fornece apenas a sensação do que a informação tenta nos orientar.
*Diógenes (Didi) Pasqualini é jornalista, especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral e Mestrando em Comunicação e Semiótica. E-mail: didibr@estadao.com.br. Siga-me pelo Twitter: http://twitter.com/didibr.
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