*Rita Garcia
Virou notícia na imprensa nacional que a rede social mais popular atualmente foi invadida por personagens de desenho infantil. A campanha, como vem sendo chamada, é devido à proximidade da data do Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro, e – mais importante – o combate à violência infantil.
Eu, como ser pensante e adepta da filosofia de que sem discussão não há evolução, questiono de que forma este combate é feito. Usuária sim de redes sociais e crítica de certas atitudes, hoje, essenciais para a vida útil de um perfil popular, pergunto: de que forma é feito este combate?
As pessoas simplesmente deixaram de pensar e passaram a ser “maria vai com as outras”. Acatam o que é disponibilizado em rede e saem por ai comprando ideias. A ideia de sensibilizar, chamar a atenção para o problema ou mesmo homenagear uma criança é bem válida, e até mesmo divertida. O meu questionamento é na ociosidade com que a grande maioria o faz.
Nenhum dos meus amigos que agora são personagens divulgou em seus perfis estatísticas sobre a violência infantil, como ela ocorre e de que forma podemos saber ou perceber que uma criança é vítima de violência. O que vi foi alguns divulgando o número 100 para a denúncia e só.
A violência infantil é uma realidade brasileira, infelizmente. O simples ato de mudar a foto do perfil não muda esta realidade, muito menos os números alarmantes. Os personagens não têm este super poder.
Em 2010 o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, revelou que houve aumento de 36% nos casos de maus tratos infantis no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2009. Em 60% dos casos registrados os pais eram os agressores. E em 75% dos casos as crianças tinham menos de 02 anos.
Portanto, meu questionamento não é com o fato em si, mas sim com a hipocrisia e ociosidade com que nos acostumamos a viver. “Faça um protesto no mundo virtual que seus problemas serão resolvidos”. Peraí, toda ação tem uma reação, e os personagens que tanto alegraram a nossa infância, infelizmente, sozinhos não resolverão este problema.
A atenção está voltada para a moda da rede social, já que a intenção é de uma grande causa. Vamos fazer barulho de verdade e incomodar de fato agressores e autoridades para que a violência infantil seja de fato combatida.
(*Rita Garcia é jornalista e editora do Lide Brasil)
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